Circulo nos meandros dos dias banais entre a bonomia de um passeio por ruas de estranhos e o cheiro de sempre da chávena de café. Entre o vício do consumo de algumas páginas e de outra chávena, franzo o sobrolho, numa postura quase comovente de quem procura pensar na sua própria reflexão. E neste esforço hercúleo de me ultrapassar, refugio-me naquele pedaço de pedra, naquela varandinha minúscula que, sobre a rua, me prende e me protege. Ali, escondido algures entre o frio da noite e o calor do café, escuto o ruído surdo do horizonte negro e, enfim, entrego-me novamente às divagações caseiras que por momentos abandonei.
De quando em quando, ouço, lá em baixo, os risos sonoros da malta, deslocando-se para os bares do fim da rua. Lá em cima, nem a minha sombra é notado e permaneço como romeiro, sendo “Ninguém!”. Novamente se esfumam os pensamentos e, no seu lugar, receios sentidos de que naqueles risos de alegre bem-estar esteja a crítica mordaz dos meus fantasmas.
À altura do meu pedaço de pedra sobre a rua, meu cárcere voluntário nas noites banais, permaneço invisível. Dali, daquele alto de mundo, regressado uma outra vez às meditações profanas da alma, espreito esses universos fantásticos onde espero viver e desço, por momentos, àquela rua, àquela urbe de sentido único onde posso seguir caminho. Olho agora para aquela pedra angular, meu cárcere voluntário, e vejo-me lá em cima espreitando timidamente o mundo. Deixo escapar um sorriso cúmplice e, timidamente, convido-me para descer. Acompanhado por mim, percorro a minha rua estreitinha, silenciosa, onde até Deus tem uma casinha pequena. Não rezo porque já não são horas de visitar ninguém. Já bastou a ousadia de me convidar para descer!
Continuo a caminhar e sento-me um pouco naquele pequeno telheiro da casinha de Deus. E, sem me aperceber, estou mais uma vez perdido dentro de mim, e ignoro até que a malta de há pouco vem agora em sentido inverso. Devagar, levanto-me e regresso à soleira da minha porta. Naquele pedaço de pedra caindo sobre a rua, despeço-me de mim e, num simples piscar de olho, me asseguro que nos veremos por aí…
De quando em quando, ouço, lá em baixo, os risos sonoros da malta, deslocando-se para os bares do fim da rua. Lá em cima, nem a minha sombra é notado e permaneço como romeiro, sendo “Ninguém!”. Novamente se esfumam os pensamentos e, no seu lugar, receios sentidos de que naqueles risos de alegre bem-estar esteja a crítica mordaz dos meus fantasmas.
À altura do meu pedaço de pedra sobre a rua, meu cárcere voluntário nas noites banais, permaneço invisível. Dali, daquele alto de mundo, regressado uma outra vez às meditações profanas da alma, espreito esses universos fantásticos onde espero viver e desço, por momentos, àquela rua, àquela urbe de sentido único onde posso seguir caminho. Olho agora para aquela pedra angular, meu cárcere voluntário, e vejo-me lá em cima espreitando timidamente o mundo. Deixo escapar um sorriso cúmplice e, timidamente, convido-me para descer. Acompanhado por mim, percorro a minha rua estreitinha, silenciosa, onde até Deus tem uma casinha pequena. Não rezo porque já não são horas de visitar ninguém. Já bastou a ousadia de me convidar para descer!
Continuo a caminhar e sento-me um pouco naquele pequeno telheiro da casinha de Deus. E, sem me aperceber, estou mais uma vez perdido dentro de mim, e ignoro até que a malta de há pouco vem agora em sentido inverso. Devagar, levanto-me e regresso à soleira da minha porta. Naquele pedaço de pedra caindo sobre a rua, despeço-me de mim e, num simples piscar de olho, me asseguro que nos veremos por aí…
2 comentários:
Texto lindo, uma vez mais, e uma escolha musical notável. E a esperança de que alguém, brevemente, te vai tirar do teu "cárcere voluntário".
Para ser mais correcto, não quero deixar de ter o meu cárcere voluntário. O que quero é que ele seja outro ou, então, que naquele possam estar dois...
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