terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Mesmo perto, queria-te aqui...
Longe, a morrer de saudades, não deixo de te imaginar à beira rio, numa noite quente de Agosto, a olhar o fogo-de-artifício sobre o Douro. Sinto ainda o toque da tua mão, lanço-te ainda os mesmos olhares e vejo, com a mesma nitidez, o teu sorriso de sempre. É ainda o calor do teu corpo, e daqueles abraços escondidos e fugidos, que me aquece na rudeza da tradição alemã. É com o teu cheiro que suspiro entre o colorido dos pequenos jardins das ruelas. É com mil imagens tuas que regresso ao fim do dia e que me perco, a passo calmo, nas bucólicas tardes da Baviera.
Longe, a morrer de saudades, é teu o olhar que lanço aos pormenores em que me vou detendo, neste ambiente tão diferente. É teu o sorriso que deixo escapar, quando tento compreender costumes que me são estranhos. É teu, todo teu, o pensamento que não viajou para aqui, que ficou preso algures por aí, vai fazer quase meio ano. Perdido? Não, sei sempre onde o procurar.
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Outras contas
Chega quase a ser ensurdecedor o silêncio deste espaço. Contam-se as almas que ainda percorrem os corredores desta universidade sazonalmente desertificada, ainda mais a estas horas impróprias.
Neste silêncio quase ensurdecedor, escuto, cada vez mais fortes, as saudades de ti. Conto as horas e os minutos que nos separam, conto os quilómetros que nos afastam. Suspiro pensando nos dias que ainda faltam para te abraçar.
A estas altas horas, no repetitivo silêncio que sempre realço, interrompo o trabalho que não acaba e perco-me na fotografia que partilhamos. Naquele momento que juntos eternizamos e que agora posso rever. Novamente o silêncio. Novamente gritam alto as saudades. Para afastar o primeiro e cuidar das últimas, deixo que irrompa pelos corredores um grão do amor que transpiro.
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Entre Sancho e Quixote
Entre as grossas manhãs de nevoeiro onde sempre me senti submerso e os inebriantes pores do sol com que sempre sonhei. Entre a hora tardia a que me deito e a alvorada a que me levanto, depois da longa insónia desta noite de verão. Entre o preto e o branco das coisas, algures perdido em cinzentos monótonos e iguais. Entre as duas arcas de ouro do arco-íris, indeciso entre desistir e sentar-me ou continuar para uma delas e esquecer a outra. Entre a ambivalência que não consigo deixar de sentir, que escondo para mim e que não me deixa decidir. Entre o apelo do coração e do sorriso fácil e os martelinhos que fazem ecoar a razão. Entre o que pode ser evidente e aquilo que prefiro ver. Entre o mundo que quero construir e aquele a que me tenho que adaptar. Entre o medo de me saber correcto e o conforto de fingir nada perceber. Entre o mundo real e Para-lá-do-Mundo, onde há muito não escondo e que por momentos abandonei. Entre as minudências do mundo real e as filosofices onde me gosto de perder. Entre o que sou e o que tenho que parecer. Entre o mundo e eu. Entre eu e eu, flutuando ad seculum seculorum entre o que foi e o que há-de vir, como se nunca houvesse presente...
sábado, 6 de Junho de 2009
Encontro(s)
Há muitas formas de encontro e muitos encontros. Há muitas formas de te ter sempre por perto, muitas formas de te sentir. Talvez tantas como os sorrisos que, na tua ausência, não deixo de dar. Tantas como as vezes que penso em ti e te imagino também a sorrir.
Em tantas formas se encontro, embala-nos a música que é comum e que em muitos momentos nos tornou um só. Sempre que a ouço, encontro-me contigo...
quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Porque nada há que dizer quando as leis imutáveis passam por nós, fica apenas o abraço sincero de quem acredita que para lá do outono da vida fica a mais pura das saudades...
domingo, 31 de Maio de 2009
Sunday smile
Sobre o calor abrasador que espreito da secretária de todos os dias, no silêncio sepulcral típico das manhãs de domingo e de uma Universidade letárgica e dolente, aproveito a liberdade que a solidão permite. Estico as pernas na secretária, inclino a cadeira para trás e fico, assim, a espraiar-me no verde dos jardins. Deixo-me dormitar um pouco. Invade-me a moleza do tempo, que se confunde com o ritmo tranquilo de acordes soltos. Assaltam-me imagens tuas e voo com o destino certo de quem sabe onde te encontrar. Sorrio sem pensar, inconscientemente como diria o Pessoa, mas com saborosa consciência disso. Talvez seja isto o carpe diem, estes sorrisos de domingo onde te posso procurar e encontrar, para logo me voltar a perder e achar.
domingo, 17 de Maio de 2009
Escuridão
Há noites assim, em que aquela angústia sem sentido nos oprime e nos tolhe. Há noites assim, em que a insónia é a mais certa companhia das horas do silêncio. Há noites assim, em que nem o cansaço e alguma debilidade física nos trazem, de mansinho, aquele sono profundo de miúdo. Há noites assim, em que mesmo dormindo continuamos despertos para o mundo que não esquecemos. Há noites assim, em que o coração bate intranquilo quando imagina que outro bater se pode ir calando.
É, há noites assim! Onde o teu abraço me faz mais falta, onde teu calor me aqueceria mais, em que o teu beijo me deixaria mais calmo, onde a tua presença me sossegaria.
Nestas noites assim, resta-me o silêncio de sempre, misturado no olhar perdido no horizonte de breu e nas reflexões que ainda consigo. Derivo entre o refúgio das palavras banais e o aconchego da caneca de leite. Talvez seja uma errada impressão, talvez mesmo a ilusão que a dúvida semeia. Talvez. Nem por isso a consigo evitar. Há noites assim!
sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Sim!
Magia!
Pura alegria
não ver o fim
no teu sim.
É magia, sim,
não haver fim,
nem início
nem qualquer outro precipício,
abismo de outros antes
agora distantes.
Distantes como fim
que não imaginamos,
que não criamos,
neste tempo, que já foi d’antes,
e é agora dos amantes!
sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Sublime
Continuam a ser os pequenos momentos inesperados o sublime sustento do mais verdadeiro sorriso. Aparentemente desligado de tudo, não evito a comoção ao pressentir uma alma genuinamente grande, quando posso, por momentos, fazer parte de um mundo que vou tentando conquistar.
Nestes dias de desassossegos, talvez tenha tido um desses momentos raros e, o que poderia ter sido apenas mais um almoço de trabalho a dois, elevou-se para lá da mundana humanidade. Sempre tive um prazer imenso em sentir-me pequenino. Pequenino quando quem te fala, pelos anos e pela experiência, é muito maior que tu. Pequenino quando quem te olha tem a serenidade dos anos e a banal tranquilidade que sempre invejei.
Assim, entre tanta pressão, entre tanta teimosia em fazer valer valores e princípios, entre tanta vontade de continuar a acreditar que o mundo pode sempre ser melhor, vou encontrando pessoas extraordinárias. Extraordinárias sim, mais que não seja pela genuína dedicação e cuidado que me vão devotando. Exemplo vivos que me ensinam muito mais do que algum dia estarei capaz de ser.
Nestes dias de desassossegos, talvez tenha tido um desses momentos raros e, o que poderia ter sido apenas mais um almoço de trabalho a dois, elevou-se para lá da mundana humanidade. Sempre tive um prazer imenso em sentir-me pequenino. Pequenino quando quem te fala, pelos anos e pela experiência, é muito maior que tu. Pequenino quando quem te olha tem a serenidade dos anos e a banal tranquilidade que sempre invejei.
Assim, entre tanta pressão, entre tanta teimosia em fazer valer valores e princípios, entre tanta vontade de continuar a acreditar que o mundo pode sempre ser melhor, vou encontrando pessoas extraordinárias. Extraordinárias sim, mais que não seja pela genuína dedicação e cuidado que me vão devotando. Exemplo vivos que me ensinam muito mais do que algum dia estarei capaz de ser.
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